A Qualquer Custo

“Hell or High Water” (título original) é um faroeste moderno dos bons. Dirigido pelo escocês David Mackenzie e estrelado pelo brilhante Jeff Bridges, “A Qualquer Custo” conta a história de uma dupla de assaltantes de banco no oeste de um Texas decadente, abatido pela crise econômica e a consequente fuga de empresas. Os dois bandidos, meio amadores, decidem roubar uma série de agências de um determinado banco, que ameaça tomar o rancho da mãe deles por conta de atrasos no pagamento da hipoteca. A ideia de Toby (Chris Pine) e Tanner (Ben Foster) é se “vingar” dos banqueiros que, segundo eles, são os grandes responsáveis pela decadência da cidade.

Na cola da dupla de foras da lei estão os policiais Marcus (Bridges) e Alberto (Gil Birmingham). Jeff Bridges (indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro) está inspiradíssimo na pele de um velho “xerife” prestes a se aposentar, rabugento, de fala enrolada e politicamente incorreto. O filme alterna os roubos e fugas da dupla com a investigação dos policiais, até culminar com a perseguição aos bandidos. O roteiro é ótimo, com tiradas espirituosas, tanto de Marcus, como da dupla de bandidos, mas não se pode esperar muito mais de um filme típico de faroeste.

Talvez a diferença para a maioria das obras do gênero seja o fato de Toby e Tanner não cumprirem exatamente o estereótipo dos bandidos do velho oeste. Eles são, na verdade, anti-heróis em um luta contra um sistema bancário que os faz reféns. As paisagens são as de sempre: um Texas devastado, amarelado, empoeirado e desértico, o que favorece a fotografia do filme. Contrasta também com o sempre bem-sucedido Estados Unidos, terra da oportunidade e do progresso. Em “A Qualquer Custo”, a impressão é a de que aquela região parou no tempo, e os problemas são resolvidos a bala – e não só pela polícia. Para o que se propõe, o longa é ótimo, mas atende especialmente aos amantes do western.

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Philipe Deschamps Written by:

Philipe Deschamps é jornalista, comentarista de esportes e cinema. Tem uma coluna de cinema, todas as sextas-feiras, na Rádio MEC (800 AM), no programa Arte Clube, às 18.45 hs.

One Comment

  1. Luis Carlos Oppermann
    fevereiro 9
    Reply

    Excelente texto, Deschamps.

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